terça-feira, 6 de julho de 2010

A segunda vez no Lusitano

Conheci o Lusitano (o novo) na véspera, com os amigos. O bom atendimento e o peixe maravilhoso me ganharam. Comprei minha família ao discursar a respeito e fomos jantar lá. O sábado tem mais movimento que a sexta-feira e por isso tivemos que dar o nome e entrar na fila, diferente da última noite. Fiquei ao lado da minha irmã e minha mãe observando todo o movimento. Não era o único a olhar.

A primeira mesa fica ao lado da entrada e da mocinha chata que estava na porta. Todas as cadeiras estavam preenchidas por meninas e mulheres, menos uma. A loira da direita já comia quando começou a me despir com os olhos. Da cabeça aos pés, ela encarava faminta. Eu tava com uma roupa que gosto de usar. E não abaixava a guarda. Foram uns sete, oito olhares diretos, sem rodeios. Até que meu professor de Economia chegou.

Ele não me viu na entrada e passou direto pela mocinha chata da porta. Sentou-se ao lado da loira. O Rui adora uma balada, um barzinho com amigos e principalmente com as amigas. Gente finíssima. Ela cumprimentou, mas voltou o olhar pra mim. Já passava mais de 20 minutos de espera, a mocinha já tinha colocado gente na nossa vez até que a loira foi ao toalete com a amiga.

Nem dois minutos depois a chata nos chamou. Passei pela mesa da loira e cumprimentei o Rui. Sentamos numa mesa central, rodeada por gente feia. Liguei o GPS. Não a vi mais. Ela demorou mais de 10 minutos a voltar. E o peixe ia demorar mais.
- Quantos minutos?, perguntou meu cunhado.
- Uns 30 minutos, para ser sincera com vocês, respondeu a garçonete mais adorável da véspera e menos agradável do sábado. Era muita gente naquele lugar, a Salete não podia fazer muita coisa. Cumprimentei-a com menos empolgação que na sexta-feira. Enquanto isso a loira sentou.

Sentou e não mais me viu. Simplesmente olhou pra fora, não me encontrou e nem quis ligar seu radar. Eu achei que o Rui até poderia comentar algo, em vão. Ficou rindo e tirando fotos com as amigas. O Rui tava faceiro. E eu com fome, ouvindo a família reclamar da demora e do atendimento. Cobraram de mim até que o peixe chegou, exatamente 25 minutos após o pedido. E os filés não estavam tão bons quanto na noite anterior. As mesas em volta já ficaram desocupadas, sem gente feia e muito menos bonita. Minha família, sem grandes comentários pertinentes, nem fofoca. A essa altura do campeonato, a loira, as amigas e o Rui tinham ido embora. Fiquei no vácuo. A segunda noite no Lusitano foi assim: sem grandes momentos, com expectativas abaladas e com peixe quase sem sal. Pelo menos a cerveja estava “digna” e a moça chata já não estava mais na porta quando saímos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Um olho no botão e outro na percepção

Um dos elevadores do Edifício Felippe Adura está com sistema novo. Dentro dele tem o aviso para que o usuário chame somente o elevador mais próximo do seu respectivo andar, para evitar que ambos percorram o trajeto e ganhar tempo. Achei ridículo, pensei “é obvio que a pessoa vai acionar só um, não tem motivo”. Chegou no 12º andar.

O CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) é frequentado assiduamente pro estudantes na busca por estágio. Já tive minha fase de “bater cartão” lá. Dessa vez fui só pegar um certificado. Não tinha muita gente, afinal era horário de almoço. Fui logo atendido. Os meus olhos também.

A conversa com a atendente foi tranquila, sempre me dei bem com aqueles colaboradores. Isso chama a atenção, afinal chegamos a rir.
- Dois anos como estagiário tá bom, né, brinquei.
- Ah sim, muito bom, ela respondeu.
- Essa vida de estagiário não é fácil não, né, emendei.
- Não sei, nunca passei por isso, mas se você diz...
Rimos.

Acredito que foi por ai que eu conquistei a audiência da pessoa mais linda da sala. Seu olhar é cativante, esperto, atento, vibrante... muito mais do que aquele olhar do dia do ônibus (vide a outra crônica). Correspondi com o sorriso, mas acho que ela não viu por inteiro. Trocamos dois ou três olhares até a papelada do certificado ficar pronta. Uma pena.

Agradeci e fui em direção a porta. Olhei para a esquerda e recebi um tiro no peito. Calma, não tinha revólver nenhum, foi somente um olhar. O que antes era cativante, agora é avassalador, provocante, envolvente, excitante. Sai de lá.

No corredor, pensei em voltar e fingir que havia esquecido algo, mas já estava atrasado. Não sei onde estava com a cabeça e nem sei onde meu peito iria chegar. Sabia que já tinha ganhado aquela tarde. Apertei o botão do elevador. Apertei o botão do outro elevador. Aí me dei conta...”putz, chamei os dois elevadores”. Peguei o que primeiro chegou, olhei para os lados e fui embora. Entendi o reforço do aviso. Ainda bem que ninguém viu.