Eu a Roberta havíamos gostado das nossas gravações de TV naquela noite na faculdade. Eu fui âncora e ela repórter. Estávamos eufóricos e fomos comemorar o bom resultado. Ideia dela. Claro que estávamos de social, já que a ocasião exigia. Chegamos ao Mister Sheik da Avenida Brasil. A Roberta dirigia e eu olhei pelo vidro do carona se eles estavam atendendo ainda. Não tive certeza. A Roberta estacionou há apenas 10 cm do meio-fio e eu desci do carro.
O garçom guardava a placa. Outro puxava a porta de ferro, aquelas de proteção a de vidro. Meu terno preto chamou a atenção.
– Vocês já estão fechando?, pedi.
– Não, não, pode entrar que vamos atender sim, respondeu com atenção e precisão.
Roberta e eu entramos. Enquanto esperávamos as esfihas, eles fecharam a porta. O atendimento se tornou exclusivo. A atenção era redobrada. O lanche saiu rápido em relação a outra vez que ali estivemos. Como sempre, estavam deliciosas.
Terminamos de comer. Na hora de pagar a conta, surpresa. Como estava sem dinheiro – e isso não é grande novidade – Roberta acertou as continhas. Um olhou com cara estranha, outro desconfiou. Nossas roupas e nossa relação de amizade davam pinta de que éramos um casal ou pelo menos dois novos executivos. Ao sair, a segunda surpresa: Roberta pegou a chave e foi em direção a porta do motorista. Os dois colaboradores que abriram a porta para sairmos ficaram a observar. Curiosos. Roberta arrancou e fomos embora, rindo.
A conclusão que chegamos: status realmente garante um atendimento de qualidade. A conclusão que eles chegaram: “foi-se o tempo do cavalheirismo. Esses são tempos modernos”.
sábado, 26 de junho de 2010
Crônica "Eu secava com olhos lacrimejantes"
Já sabia que os primeiros dias com lente causariam desconforto aos olhos. E foi assim que aconteceu com os meus. Era outono, o vento no fim da tarde enfrentava a íris e secava o objeto rígido. Entrei no ônibus para ir embora, uma Sul-Oeste com bancos disponíveis no fim de tarde. Achei que estava com sorte. Pelo menos meus olhos pararam de arder e lacrimejar. Ma só até o terminal Oeste.
Gente bonita me chama a atenção. E eu secava ela assim que a vi, após descer do busão. Só recebi dois olhares como retorno. Mas caminhei até o ponto da linha do Santo Onofre. Foi chegar perto que, ao torcer o pescoço para olhar, viro depressa os olhos e a lente direita não segue o ritmo. Pronto, ela estava fora da íris e eu fora de combate. Não enxergava nada, estava com ela desde a manhã. Fui ao banheiro.
Não cheguei a entrar. O mau cheiro impediu. Fechei os olhos e tentei manusear a lente pelo supercílio. Em vão. Ela dançava ao som da música que escutava no fone do celular. Tirei o fone, mas ela continuou a sambar. E parece chamar convidados.
– Algum problema, rapaz?
–Tudo certo minha senhora..., disse a uma daquelas mulheres que adoram puxar conversa no terminal. A Santo Onofre chegou.
Subi no ônibus e sentei no banco após a roleta. O olho direito já estava vermelho e eu praticamente chorando. Aproximasse de mim um corpo, percebo que ela olha para mim com piedade. O desespero já tomava conta de mim. Pedi se a moça tinha um espelho pequeno. Ela me concedeu um rosa. Senhoras já me olhavam (é impressionante o número de idosos nos ônibus de Cascavel).
Foi eu aproximar o espelho à minha visão que, de repente, a lente voltou pra íris. Não precisei nem usar o espelho e já fui devolver. Ao me virar no banco, era ela, o corpo que vi após descer da Sul-Oeste estava na Santo Onofre. O espelho era dela. Os olhares já não eram de sedução, acho que era de pesares. Eu podia adivinhar seu pensamento... “putz, ele me olhava porque estava com timidez em pedir um espelho, chora como uma moça e confere a maquiagem no ônibus”. Desci no ponto seguinte, com a autoestima baixa, mas pelo menos com a lente no lugar certo.
Gente bonita me chama a atenção. E eu secava ela assim que a vi, após descer do busão. Só recebi dois olhares como retorno. Mas caminhei até o ponto da linha do Santo Onofre. Foi chegar perto que, ao torcer o pescoço para olhar, viro depressa os olhos e a lente direita não segue o ritmo. Pronto, ela estava fora da íris e eu fora de combate. Não enxergava nada, estava com ela desde a manhã. Fui ao banheiro.
Não cheguei a entrar. O mau cheiro impediu. Fechei os olhos e tentei manusear a lente pelo supercílio. Em vão. Ela dançava ao som da música que escutava no fone do celular. Tirei o fone, mas ela continuou a sambar. E parece chamar convidados.
– Algum problema, rapaz?
–Tudo certo minha senhora..., disse a uma daquelas mulheres que adoram puxar conversa no terminal. A Santo Onofre chegou.
Subi no ônibus e sentei no banco após a roleta. O olho direito já estava vermelho e eu praticamente chorando. Aproximasse de mim um corpo, percebo que ela olha para mim com piedade. O desespero já tomava conta de mim. Pedi se a moça tinha um espelho pequeno. Ela me concedeu um rosa. Senhoras já me olhavam (é impressionante o número de idosos nos ônibus de Cascavel).
Foi eu aproximar o espelho à minha visão que, de repente, a lente voltou pra íris. Não precisei nem usar o espelho e já fui devolver. Ao me virar no banco, era ela, o corpo que vi após descer da Sul-Oeste estava na Santo Onofre. O espelho era dela. Os olhares já não eram de sedução, acho que era de pesares. Eu podia adivinhar seu pensamento... “putz, ele me olhava porque estava com timidez em pedir um espelho, chora como uma moça e confere a maquiagem no ônibus”. Desci no ponto seguinte, com a autoestima baixa, mas pelo menos com a lente no lugar certo.
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
Sinopse do primeiro WebConto do Blog
"MIRABOLANTE - A História de um Verão misterioso e intrigante"
O respeitável arquiteto João Cavalcanti (45) é casado com a rancorosa psicóloga Andrea (37) e pai dos jovens Marcos (19) e Milena (17). Um homem de classe média emergente, sem grandes inimigos e que vai passar o último verão de sua vida em sua casa de praia, em Matinhos, litoral paranaense.
João é o melhor amigo do também arquiteto Pedro Miranda (39), um cara boa pinta, rico e que se separou da mãe de seus dois filhos, a doce Mariana (38). Pedro e Mariana são pais de Mauricio (20) e Vanessa (23) e, mesmo separados, mantém uma relaçao amigável e amistosa. Pedro está noivo da dentista Ângela, que acabou se tornando amiga de Mariana. A convite do amigo , Pedro e sua família, assim como as duas mulheres, vão passar férias na outra casa de praia de João, também em Matinhos.
O responsável pela manutenção de ambas as casas é o humilde Solano (51), também amigo de João, um homem sem muito estudo, mas esperto e ágil, pai da inteligente jornalista Patricia (21). Solano vive uma vida tranquila, mas vai ser perseguido pela polícia a partir do dia 12 de janeiro, data em que João aparecerá morto em sua casa de praia!!!
Solano é inocente e, ao descobrir que João foi envenenado, fugirá para Santa Catarina no meio da madrugada do dia 12 de janeiro. Solano tem a certeza de que será perseguido pela polícia e viajará para a casa de um amigo para se esconder. Mas antes disso, Solano deixa uma missão para sua filha: descobrir quem matou João para livrá-lo da possível cadeia e proporcionar a vida tranquila que Solano tinha antes do fato.
Agora, Patricia terá que viajar para Cascavel, cidade onde as duas famílias moram, se desfarçar para fugir das investigações e se infiltrar nas familias. Patricia terá sete dias para desvendar os segredos dos oito possíveis assassinos e tornar-se amiga das famílias. Porém o que ela não sabe éque irá se apaixonar pelo filho de Pedro, Maurício.
Agora está o impasse: Patricia tem que se disfarçar, se infiltrar nas famílias, esconder um amor e descobrir quem matou João Cavalcanti.
O respeitável arquiteto João Cavalcanti (45) é casado com a rancorosa psicóloga Andrea (37) e pai dos jovens Marcos (19) e Milena (17). Um homem de classe média emergente, sem grandes inimigos e que vai passar o último verão de sua vida em sua casa de praia, em Matinhos, litoral paranaense.
João é o melhor amigo do também arquiteto Pedro Miranda (39), um cara boa pinta, rico e que se separou da mãe de seus dois filhos, a doce Mariana (38). Pedro e Mariana são pais de Mauricio (20) e Vanessa (23) e, mesmo separados, mantém uma relaçao amigável e amistosa. Pedro está noivo da dentista Ângela, que acabou se tornando amiga de Mariana. A convite do amigo , Pedro e sua família, assim como as duas mulheres, vão passar férias na outra casa de praia de João, também em Matinhos.
O responsável pela manutenção de ambas as casas é o humilde Solano (51), também amigo de João, um homem sem muito estudo, mas esperto e ágil, pai da inteligente jornalista Patricia (21). Solano vive uma vida tranquila, mas vai ser perseguido pela polícia a partir do dia 12 de janeiro, data em que João aparecerá morto em sua casa de praia!!!
Solano é inocente e, ao descobrir que João foi envenenado, fugirá para Santa Catarina no meio da madrugada do dia 12 de janeiro. Solano tem a certeza de que será perseguido pela polícia e viajará para a casa de um amigo para se esconder. Mas antes disso, Solano deixa uma missão para sua filha: descobrir quem matou João para livrá-lo da possível cadeia e proporcionar a vida tranquila que Solano tinha antes do fato.
Agora, Patricia terá que viajar para Cascavel, cidade onde as duas famílias moram, se desfarçar para fugir das investigações e se infiltrar nas familias. Patricia terá sete dias para desvendar os segredos dos oito possíveis assassinos e tornar-se amiga das famílias. Porém o que ela não sabe éque irá se apaixonar pelo filho de Pedro, Maurício.
Agora está o impasse: Patricia tem que se disfarçar, se infiltrar nas famílias, esconder um amor e descobrir quem matou João Cavalcanti.
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