O meu horário de almoço de quarta-feira, 8 de dezembro, é um oferecimento àquelas pessoas que, assim como meu irmão, não gostam de celular e veem nele pouca necessidade. Eu sairia às 11h45 e deveria retornar ao trabalho às 13h15. Quinze minutos ficaram no expediente. Meio-dia peguei uma carona com a Anna e fui para o Terminal Oeste – o objetivo era acertar umas contas e uns papéis no centro e, claro, “rangar” por lá mesmo. Sempre almoço em casa, mas dessa vez só o meu celular estava lá. Às 12h10 estava dentro da linha Sul Oeste, do tão questionado transporte coletivo – não dessa vez, pelo menos.
Foi mais rápido do que eu poderia torcer. Desci às 12h17 atrás do Eleodoro e fui em direção ao Cartório da Souza Naves. O relógio marcava 12h20 quando entrei na inesperada fila para reconhecer firma. O almoço com o Alcemar às 12h15 já estava desmarcado – por ele, não por mim, pois ele não espera para comer e eu não tinha como me comunicar. Fui atendido pela colega da “Barbarita” às 12h27... até que foi rápido.
Já passava das 12h30 quando cheguei ao banco – não sei a exatidão porque não uso relógio; uso apenas celular para ver as horas. Aquela agência sem fila no início do mês é uma ocasião extraordinária – diferente da falta de dinheiro nos caixas. Não saquei nada. As contas venciam naquele fim de tarde. Em casa, minha mãe daria um respaldo e me emprestaria a grana. Mas o número dela fica na agenda do celular e o celular estava desligado, carregando, em cima da minha cama. Já passava das 12h35.
O elevador do Cruzeiro do Sul é devagar. Pedi que horas eram para uma qualquer do primeiro andar.
- Meio dia e meio, disse ela erroneamente – não só no uso da expressão como também na informação. Subi e desci. Ele não estava mais lá. Fui para o restaurante.
Ele e a Fer já haviam almoçado, segundo a dona. Eu subi e desci em pouco mais de 10 minutos. Fui pegar a Linha Direta sem saber que horas eram. Não cheguei a correr – quem correu mesmo foi o motorista do ônibus, que pegou todos os semáforos da Paraná abertos e estacionou no Terminal Oeste logo na entrada, ao lado da linha Fag, meu próximo ônibus.
Quando desço da Fag e chego ao trabalho, minha surpresa: o meu computador marcava 13h07. Nos oito minutos de “folga”, decidi como faria para repassar as contas à minha irmã para que fossem quitadas à tarde. Descansei um pouco.
Mais tarde, lá no Teixeira, quando tive uma “folguinha”, pedi o telefone emprestado para ligar em casa (ou nem pedi, não lembro!), orientei meu irmão sobre os procedimentos a serem feitos pela minha irmã (passar no meu trabalho e pegar as contas) e desliguei. Agora sim, tudo estava resolvido. Conclusão: celular só é dispensável quando se tem um relógio e um telefone fixo à mão.